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DEBATE – Sylvia Moretzsohn analisa impacto da desinformação nas eleições em palestra na ADUFC

Sylvia Moretzsohn destacou a falta de posicionalmente da imprensa hegemônica diante de uma possível ascensão da extra-direita no Brasil (Fotos: Nah Jereissati/ADUFC-S.Sind)

Na última terça-feira (13), a ADUFC realizou o debate “Como a desinformação interfere nas eleições e quais caminhos existem para enfrentá-la?” com a jornalista e professora aposentada da Universidade Federal Fluminense (UFF) Sylvia Moretzsohn, uma das referências brasileiras na discussão crítica sobre jornalismo e desinformação. 

A atividade contou também com as docentes Helena Martins (UFC e ANDES-SN), como mediadora, Kamila Fernandes (UFC e As Cunhãs) e Sandra Helena (professora tutora da Cátedra Reitor Antônio Martins Filho-UFC) como debatedoras.

A Prof.ª Helena Martins iniciou o debate apresentando a mesa e destacando as atividades do GT de Formação Sindical da ADUFC, que tem promovido vários debates sobre a conjuntura política nacional. “Os momentos de crise são também os momentos que nos provocam a pensar tanto sobre o contexto quanto sobre as saídas que a gente tem para enfrentar os enormes desafios que encontramos todos os dias”, enfatizou.

Em seguida, Sylvia Moretzsohn apresentou um panorama geral de como a imprensa hegemônica está atuando nesse período eleitoral e destacou a falta de posicionamento diante de uma possível ascensão da extrema-direita no Brasil. “Os jornais de uma forma geral conseguiram ignorar completamente as primeiras manifestações gigantescas logo depois do primeiro turno […] E agora estamos em uma situação em que você tem realmente a democracia versus a barbárie e a imprensa não toma partido. E, claro, que deveria tomar. O que está em jogo não é uma ideologia, não é um privilégio a uma determinada corrente política: é preservar aquilo que é o essencial para o convívio democrático”, pontuou. 

Em contrapartida, Sylvia enfatizou a importância do jornalismo profissional para a apuração dos fatos e que os profissionais devem ser respeitados. Ela afirmou que a lógica capitalista de transformar notícia em produto acaba acelerando o processo de produção, o que leva a um processo de enfraquecimento da credibilidade jornalística e de desinformação.

Na ocasião, a jornalista lançou o livro “Eles não querem que você saiba. Armadilhas da desinformação”, o qual propõe uma perspectiva mais ampla sobre o processo de desinformação a partir do próprio processo industrial de produção de notícias, no qual a velocidade se sobrepõe ao rigor na apuração dos fatos. Outro ponto interessante da obra é a discussão sobre a IA generativa, controlada por grandes corporações sem qualquer escrutínio público, que nos conduz à mais radical alienação.

A Prof.ª Kamila Fernandes complementou o debate sobre a mercantilização do jornalismo enfatizando que atualmente, com a lógica capitalista de vender notícias e com a metrificação através dos algoritmos das redes sociais, ficou muito mais difícil obter informações com credibilidade. “Informação pura e simples pode ser nada, pode ser uma mentira: ela tem que estar contextualizada e analisada. […] Se a gente antes só tinha uma mídia e todo mundo só tinha informação por lá, agora a gente tem acesso a podcasts que têm análise”, disse.

A Prof.ª Sandra Helena reforçou a discussão sobre o contexto político atual e a desinformação, trazendo o aspecto da IA generativa que pode enfraquecer o discernimento humano em algumas gerações. “A gente tem uma degradação absoluta da capacidade do homem comum de pensar. Nós simplesmente estamos em um momento em que as condições de raciocínio foram reduzidas às crenças”, afirmou. Sandra Helena também enfatizou a importância do livro de Sylvia para a compreensão dos ecossistemas de desinformação.

Após o debate, a mesa abriu inscrições para dúvidas ou comentários acerca do tema debatido. Uma das pessoas inscritas foi a Prof.ª Daniela Dumaresq, diretora de Atividades de Comunicação e Cultura da ADUFC, que agradeceu pela iniciativa de trazer a discussão e destacou a maneira que a extrema-direita trata a questão da credibilidade dos meios de comunicação e das redes sociais, manipulando narrativas.

Sylvia complementou o debate, afirmando que os fatos quando isolados não configuram uma notícia ou um conteúdo jornalístico. “A grande questão é a interpretação, a contextualização. […] A diferença da forma que você apresenta a notícia é que vai estabelecer o enfoque e a profundidade ou superficialidade daquilo. E isso depende, evidentemente, do preparo do repórter e do interesse da empresa”, disse. 

+ Assista o debate completo no Canal da ADUFC no YouTube:

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