O último encontro do Seminário “Conhecimentos para um projeto de Brasil Anticapitalista” recebeu o jornalista Antônio Martins com o tema “Para pensar, de novo, um projeto de país”. A atividade que ocorreu na última terça-feira (25) no auditório Izaíra Silvino, na sede da ADUFC, em Fortaleza, contou com a mediação do Prof. Uribam Xavier, diretor de Relações com Entidades Sindicais e Movimentos Sociais da ADUFC.
A urgência da reconstrução do debate de projeto nacional pelas esquerdas brasileiras foi elemento central da exposição do palestrante convidado que durante seus apontamentos trouxe a ausência desse debate na esfera pública. Comparando as eleições de 2026 com as de décadas anteriores, Antônio Martins apontou a pouca mobilização, a escassa politização e a ausência de debates sobre a crise brasileira, assim como formas de superá-la.
“Nós estamos há seis semanas, talvez menos do que seis semanas das eleições, e algumas pessoas daqui, que eu identifico pelos cabelos brancos, que vivemos experiências como as eleições de 1989, nós, sinceramente, nos sentimos chocados com a pouca mobilização e a pouca politização e, principalmente, a ausência de debates sobre a crise brasileira e como superar a crise brasileira. É um problema que tem muitas raízes, vou tentar levantar aqui algumas hipóteses sobre essas raízes”, afirmou.
A importância geopolítica das eleições de 2026 no Brasil também foi tema de debate. Para o jornalista, “essas eleições, que são tão deseletrizantes, são de enorme importância geopolítica, política, se o projeto dos Estados Unidos e da ultradireita vingar, nós vamos voltar tantas casas na nossa condição de propor, de fato, um futuro diria pós-capitalista para o Brasil”.
A crise civilizatória vivida pela humanidade e o momento decisivo de transição tecnológica, política e geopolítica no mundo foram questões abordadas durante a noite também.
“Nesse exato momento o Brasil vive talvez o cúmulo de um período longo, de 35 anos pelo menos, que os governos de esquerda amenizaram, mas não reverteram, de reprimarização, de remarginalização, reperiferização, mas periferia é uma ideia que tem sentidos muito positivos, mas remarginalização do Brasil, e de ausência de horizonte político. Ausência de horizonte político, eu acho que é uma questão chave para esse nosso debate. Não é simplesmente o horizonte das eleições, mas o projeto de futuro, o que a gente aponta para o conjunto da sociedade. Que utopia concreta a gente propõe para o conjunto da sociedade?”, compartilhou.
A luta de classes como um fator preponderante para a regressão do Brasil também foi apontado como elemento chave a partir da perda da capacidade do país de acompanhar os novos desenvolvimentos produtivos, tecnológicos e também debates políticos fundamentais.






Enfrentamento ao rentismo para a possibilidade um projeto nacional popular
O jornalista considera que para a construção de um novo projeto nacional, e inclusive a ideia de recuperação de um horizonte político, é preciso vencer o que ele denominou de rentismo.
“A convergência é que, diante da produção imaterial, o capitalismo encontrou outras maneiras de capturar a riqueza social que não é simplesmente o processo clássico de extração de mais-valia. Enquanto a gente não enfrentar esse problema, a gente não vai conseguir nem decifrar o que está acontecendo nas nossas sociedades e muito menos pensar em criar caminhos para a construção do novo projeto nacional”, pontuou.
O capital internacional, através de grandes corporações, têm estabelecido formas mais duras de controle do que é produzido, apesar do domínio ser aparentemente mais sofisticado na aparência.
“Um exemplo claro disso é o que ocorreu na Covid com as vacinas.As vacinas que custariam tão pouco para chegar a todos os habitantes do planeta, mas não chegaram a 20% dos habitantes do planeta. Porque para manter o controle econômico e político são necessárias medidas como as patentes, por exemplo. Ou são necessárias, ou podem emergir situações muito mais dramáticas, como é o que acontece com a inteligência artificial. Na mão de corporações privadas, a inteligência artificial cujos modelos são capazes hoje de varrer a internet, de capturar o conhecimento que está na internet, de mercantilizar esse conhecimento e de moldar esse conhecimento ao seu prazer, ao prazer dos seus algoritmos”, afirmou.
A palestra completa está disponível no Canal da ADUFC no YouTube:
O Seminário “Conhecimentos para um projeto de Brasil Anticapitalista” é uma iniciativa do Grupo de Trabalho de Política de Formação Sindical da ADUFC. O seminário teve o intuito de partilhar elementos da ciência política, da economia, da sociologia, da literatura e das tecnologias para capacitar nossa comunidade a desenvolver um entendimento plural e profundo da nossa realidade, bem como contribuir para a qualificação de ativistas políticos e sociais.


