(Foto: Amanda de Sampaio)
Publicada em 1859, quando o escritor tinha pouco mais de trinta anos, Felicidade conjugal é considerada por alguns a primeira obra-prima de Lev Tolstói e prenuncia um tema que terá importância fundamental na vida do autor russo — o tema do desejo, neste caso apreendido do ponto de vista feminino.
A obra foi escolhida pelos/as participantes do Letra Viva – Círculo de Leitura da ADUFC para ser debatida no encontro de setembro. Os debates sobre as perspectivas do casamento na segunda metade do século XIX, papéis sociais, padrões de amor romântico, perspectivas de classe e gênero, bem como reflexões sobre a esfera pública e privada, permearam a tarde do Letra Viva na última quinta-feira (24) no auditório Izaíra Silvino, na sede da seção sindical em Fortaleza.
“Especialmente na primeira parte, eu acho muito estranho a relação da Mária com o Sierguiéi. Por quê? Eles têm uma diferença de idade muito grande. Quando eles se conhecem, ela tem 17, ele tem 36. E eles vão se tornar um casal.O que já é estranho por si só. Eu sei que talvez seja um anacronismo, porque eu sei que no século XIX era comum as meninas muito novas casarem com homens adultos bem mais velhos que elas, infelizmente. Acho que pela minha inserção no meu tempo histórico, já é uma coisa que não me desce muito fácil. Mas eu acho que o que acentuou ainda mais é porque não é que eles se conhecem com essa idade. Ele era amigo do pai dela, que faleceu. Ele viu ela criança, viu ela pequena, viu ela crescendo, e inclusive tem um trecho que ele diz que amava ela como uma filha”, comentou Raquel Fernández, participante do Letra Viva.
As imposições sociais dirigidas às mulheres diante do matrimônio também foram abordadas durante o debate, tendo os/as participantes inclusive feito um elo entre situações ocorridas no livro debatido em agosto, “Os Passos Perdidos, de Alejo Carpentier”, a partir da personagem Rosario.
As situações relacionadas à esfera pública e privada da vida de homens e mulheres do tempo histórico da obra, os desafios da convivência matrimonial, assim como a ruptura das personagens a partir de suas visões de mundo, foram também elementos de debate no Círculo de Leitura.
Para o encontro de outubro, a obra indicada para leitura e debate é “Não Falei”, de Beatriz Bracher.
A participação segue aberta, livre e gratuita a todas as pessoas interessadas, sendo apenas necessária a inscrição via formulário.



