A Obscena Senhora D foi a obra escolhida para ser debatida no encontro de maio do Letra Viva – Círculo de Leitura da ADUF. O debate em torno do livro de Hilda Hilst, que ocorreu tanto em Fortaleza como em Juazeiro do Norte, gerou diversas reflexões sobre solidão, sanidade mental, parâmetros de normalidade, conjuntura política, envelhecimento, entre outros.
No Letra Viva em Fortaleza, a Prof.ª Irenísia Oliveira abriu o encontro com uma explanação geral sobre a escritora e também relatando a injustificada invisibilidade em torno da sua obra por um longo período.
“Ela [Hilda Hilst] teve uma trajetória mais para o esquecimento, mas não é justificável porque é uma autora que tem bastante potência. O texto dela é desconcertante, complexo, realmente essa situação de invisibilidade era injusta, mas vem sendo corrigida. inclusive a obra dela vem sendo editada”, pontuou a docente.
O Prof. Luiz Gonzaga Rodrigues trouxe várias obras diferentes de Hilda Hilst para o grupo folhear durante o encontro e conhecer um pouco mais dos livros já editados da autora.
Durante o debate em Fortaleza, vários participantes relataram achar o livro inquietante e com dilemas profundos, além do questionamento sobre os parâmetros e limites do que está posto como razoável e racional. “Acho que ela desafia o senso comum da moralidade, de gente que faz tudo do mesmo jeito sempre”, comentou uma participante.
No Letra Viva em Juazeiro do Norte, o livro também foi acolhido com muito entusiasmo. O Prof. Tiago Coutinho relatou que “apesar de ‘curto’, o livro tem infinitas possibilidades de leituras”. Dentre elas saltam as relações com o inconsciente, com várias mitologias, como a hebraica e grega, o período da ditadura no Brasil, a ideia de corpo prisioneiro, os conceitos de feminino e masculino, entre outros.
“Discutimos no grupo a questão da temporalidade de ler esse livro. É curto, mas a leitura não é rápida, exige tempo. Vai em contraponto do que muito se coloca hoje na literatura contemporânea. Outro debate importante foi que o livro é uma prosa literalmente poética em que o ritmo, a fonética dá o tom da narrativa”, compartilhou.
Durante o encontro no Cariri, os participantes leram vários trechos em voz alta para exemplificar essa reflexão sobre a cadência e a força da sonoridade do livro.
Outro ponto de reflexão sobre a obra no debate em Juazeiro do Norte, foi a relação com a ditadura militar.
“Essa questão da ditadura [no livro] tem uma relação explícita que é em um trecho que ela fala sobre tortura, mas toda a ambiência do livro remete a um corpo abandonado, em situação vulnerável, um corpo em sofrimento tanto psíquico como em abandono também, em vulnerabilidade, precariedade… é um corpo priosioneiro. E acho que isso tem muito a ver com a ditadura”, relatou o docente.
Para o encontro de junho, o Letra Viva, em Fortaleza, terá como tema de debate a obra “A Insubmissa”, de Cristina Peri Rossi, e o Letra Viva, em Juazeiro do Norte, terá como tema de debate a obra “A Trégua”, de Mário Benedetti.
A participação segue aberta, livre e gratuita a todas as pessoas interessadas, sendo apenas necessária a inscrição via forms: Fortaleza | Cariri.
Letra Viva – Círculo de Leitura da ADUFC (Cariri)
Encontro de junho – 25 de junho de 2026 (quinta) às 15h
Livro para debate: “A Trégua”, de Mário Benedetti
Inscrições via forms: Cariri
Atividade aberta, livre e gratuita
Sede da ADUFC no Cariri | Av. Tenente Raimundo Rocha, 2100, Cidade Universitária – Juazeiro do Norte
Letra Viva – Círculo de Leitura da ADUFC (Fortaleza)
Encontro de junho – 25 de junho de 2026 (quinta) às 16h
Livro para debate: “A Insubmissa”, de Cristina Peri Rossi
Inscrições via forms: Fortaleza
Atividade aberta, livre e gratuita
Sede da ADUFC em Fortaleza | Av. da Universidade, 2346, Benfica



