(Fotos: Tamara Lopes/ADUFC-S.Sind)
No último domingo (24), movimentos sociais e sindicatos foram às ruas de Fortaleza para pressionar os deputados cearenses que votaram no Congresso Nacional para adiar o fim da escala 6×1 para 2036, cortar FGTS e liberar 52 horas de trabalho, para mudar suas posições.
A emenda protocolada por Sérgio Turra (PP-RS) teve apoio de 176 deputados federais do centrão. No Ceará, assinaram os deputados AJ Albuquerque (PP/CE), Fernanda Pessoa (PSD/CE), Dr. Jaziel (PL/CE), Eunício Oliveira (MDB/CE), Danilo Forte (PP/CE) e Luiz Gastão (PSD/CE). Após pressão popular, todos os deputados cearenses retiraram a assinatura, exceto o deputado Luiz Gastão (PSD/CE).
O ato em Fortaleza aconteceu na praia de Iracema, com concentração em frente à estátua Iracema Guardiã, e contou também com a participação de docentes da base e da diretoria da ADUFC.
“Essa escala 6×1 é uma escala desumana que não tem sentido nenhum, a não ser para acumular lucro e para que cada vez mais a gente tenha uma sociedade do cansaço, uma sociedade onde as mulheres, assim como todas as pessoas, não tenham tempo para si. Nós estamos vivendo um momento muito importante da história mundial, porque o avanço tecnológico já permite a gente ter uma jornada de trabalho muito menor do que a gente tem hoje. Mas esse avanço da ciência, da tecnologia, não está voltado para pensar a sociedade para as pessoas. É muito importante a gente ter uma jornada de trabalho menor, sem diminuição de salário, para que a gente possa ter qualidade de vida e tempo para viver”, afirmou o Prof. Uribam Xavier, Diretor de Relações com Entidades Sindicais e Movimentos Sociais da ADUFC.

Segundo cálculos do Governo Federal, o fim da escala 6×1 deve beneficiar diretamente cerca de 255 mil trabalhadores e trabalhadoras somente no Ceará. O levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) identificou a jornada de trabalho de 44,7 milhões de pessoas no Brasil. Desse total, cerca de um terço ainda trabalha no regime 6×1, o equivalente a 14,9 milhões de trabalhadores que seriam beneficiados pela mudança para o modelo 5×2.
Regionalmente, o Sudeste concentra o maior contingente de trabalhadores na escala 6×1, com 7 milhões de pessoas. Na sequência aparecem Sul (2,9 milhões), Nordeste (1,97 milhão), Centro-Oeste (1,34 milhão) e Norte (751,7 mil).
A comissão especial sobre o fim da escala 6×1 da Câmara dos Deputados, criada para analisar a PEC 221/19, marcou para esta segunda-feira (25) a discussão e a votação do parecer do relator sobre a proposta.
A reunião será realizada às 17h, no plenário 2, em Brasília (DF). A proposta altera o artigo 7º da Constituição Federal para reduzir a jornada de trabalho para 36 horas semanais no prazo de dez anos – motivo que gerou a onda de novos protestos em todo o Brasil.
A votação das PECs (Propostas de Emenda à Constituição) que tratam do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho sem redução salarial está marcada para quarta (27) e quinta-feira (28), na Câmara dos Deputados.
Fontes: Agência Brasil e Agência Câmara de Notícias








