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ESPAÇO CULTURAL — A atividade “Forró & Feira” animou a última sexta-feira na sede do sindicato em Fortaleza

Na última sexta-feira, o Espaço Cultural da ADUFC sediou a atividade “Forró & Feira”. Ainda em clima junino, a atividade celebrou a fartura do semiárido com um cardápio variado do Quintal de Comida na ADUFC, trouxe um forró pé de serra que animou as pessoas presentes a ocuparem o Espaço Cultural com muita dança e também realizou um debate imprescindível sobre alimentação saudável, agrotóxicos e soberania nacional.

A atividade teve início com a exibição do documentário “Chuva de Veneno”, que foi seguida por debate com a mediação do Prof. André Ferreira, presidente da ADUFC, e a participação como debatedores de Cristina Feitosa (Coordenação Nordeste do Plano Nacional Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis – MST), Renato Roseno (deputado estadual), Adriana Gerônimo (vereadora) e Daniel de Paula, representando o mandato do vereador Gabriel Biologia. 

Na abertura da mesa, o Prof. André Ferreira ressaltou que o debate foi pensado no âmbito do GT de Política Agrária, Urbana e Ambiental (ADUFC/ANDES-SN) com o intuito de avançar em pautas que pensem um projeto popular para o Brasil. 

“Esse GT existe nacionalmente no ANDES-SN, que é o nosso sindicato nacional, (…) e é um GT que tem realizado alguns debates e atividades para fortalecer a luta. Não é um GT que organiza apenas debates, se propõe a tematizar sobre questões que dizem respeito à política agrária, urbana e ambiental, mas também se solidarizar com a luta e construir junto essa que também é nossa luta. Dentro do sindicato nacional nós compreendemos que nos interessam não só as demandas que dizem respeito diretamente à nossa categoria, ou somente à universidade, claro que são pautas centrais para nós, mas o avanço dessas pautas está relacionado ao avanço de um projeto popular de país”, pontuou.  

Apesar de não poder estar presente por conflito de agenda, o vereador Gabriel Biologia enviou um vídeo para contribuir com o debate. 

“Queria celebrar muito esse encontro, a viabilidade e a delicadeza do convite da ADUFC e do ANDES-SN para tocar nesse assunto e apresentar esse documentário, que nós fizemos com muita escuta e um com um grande processo de construção coletiva. (…) Queria destacar que produzir esse documentário foi uma experiência muito transformadora. (…) Eu queria iniciar colocando a gravidade da situação da pulverização aérea em todo o estado do Ceará, o avanço da chuva de veneno a partir da (re)regulamentação dessa prática que é gravíssima. É o tipo de prática que não tem como dar certo, não tem como ser segura e é apenas a fase inicial da dita agricultura de precisão. O que nós temos no horizonte é muito mais grave do que nós conseguimos reportar nesse documentário”, afirmou.

O deputado Renato Roseno ressaltou a importância de pensar e produzir comunicação na batalha de ideias.   

Eu acho absolutamente sensacional que um vereador faça um documentário. (…) Há uma disputa da política hoje na arena da comunicação. (…) Hoje a comunicação é a política. Antes de falar de agrotóxicos ou de agroecologia, eu quero falar dos meios para fazer a disputa imagética e subjetiva. Essa contribuição (…) é muito interessante como um aprendizado coletivo ao conjunto do nosso campo. A gente produz muita reflexão sobre o mundo atual, mas tem dificuldade de transformar essa reflexão em disputa de comunicação. Gente que não tem reflexão nenhuma faz uma cena espetacularizada, hora pegando lixo, hora queimando pé de maconha, e ganha milhões de views. Não tem programa, né? A gente passa horas criando programas, refletindo a vida. Eu não estou propondo, em hipótese alguma, que nós percamos substância. Eu acho que a nossa diferença é que nós temos vinculação com os territórios em luta e temos proposta para o mundo. E isso é muito importante para as crises que o mundo vive. É muito importante essa contribuição que vocês têm dado através da produção audiovisual”, pontuou em sua fala de abertura. 

Cristina Feitosa, da Coordenação Nordeste do Plano Nacional Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis – MST, iniciou sua participação na atividade com a leitura da poesia Memória Viva, de Kelly Gomes, do assentamento Terra Prometida no Vale do Jequitinhonha (MG) que sofre muito com ações do agronegócio. A coordenadora destacou a importância da luta pela reforma agrária na garantia de uma alimentação saudável e sem venenos. 

Essa é uma luta que precisamos estar juntos, sozinho a gente não transforma. Nós estamos perdendo para o agronegócio e para o agrotóxico. O companheiro Zé Maria do Tomé é um símbolo da luta em defesa da natureza e do meio ambiente, e hoje ele deve estar muito triste onde quer que esteja com a liberação dos drones [para pulverização de agrotóxicos]. Mas a sua luta não era só contra os agrotóxicos, era também pela conquista da terra e, nesse ponto, ele deve estar feliz. Porque hoje foi oficialmente criado o assentamento Zé Maria do Tomé na portaria 1996. A luta pela terra tem que ser constante porque no latifúndio não se faz agroecologia, o latifúndio destrutivo é só monocultivo e agrotóxicos. (…) A agricultura existe há mais de 12 mil anos e sem agrotóxicos! E agora querem nos convencer de que só dá pra alimentar o mundo com veneno e fertilizante químico!”,  afirmou. 

A vereadora Adriana Gerônimo ressaltou durante sua fala a importância da realização de atividades em torno do documentário Chuva de Veneno para que a população possa acessar a gravidade da situação que ocorre no estado. 

“Parabenizo a ADUFC por essa iniciativa. Esse documentário precisa de muitas atividades como essa para que a sociedade cearense compreenda o tamanho do impacto negativo da chuva de veneno no território cearense. Essa atividade é fundamental porque é um trabalho de formiguinha mesmo, né? Enquanto o agronegócio tem o poder e dinheiro, tem, infelizmente, o poder da ganância. Do outro lado tem muitos ativistas, movimentos sociais, parlamentares que estão dedicados a essa luta. O poder do capital não pode vencer o poder popular. É necessário todo o empenho e toda a força da sociedade organizada e dos movimentos para que a história de Zé Maria do Tomé não seja esquecida e essa luta, o legado dele seja regado aqui”, compartilhou. 

Daniel de Paula, representando o mandato do vereador Gabriel Biologia, ressaltou a importância de enxergar a comunicação como uma estratégia essencial para compartilhar sobre as questões ambientais de uma forma acessível para a população.

“Queríamos agradecer a vocês que estão assistindo e vão replicar essas palavras, esse é o ponto mais importante. Nós estamos aqui falando para pessoas que já são sensibilizadas com a causa. Eu tenho certeza que vocês já sabem que é importante essa luta. Mas precisamos divulgar ainda mais a pauta, divulgar o documentário em sala de aula. Eu mesmo fui tocado em sala de aula, no ensino médio, a entrar na biologia por uma professora que falava sobre questões ambientais. 

Durante a mesa foram abordadas diversas particularidades sobre a pulverização aérea de agrotóxicos no estado do Ceará, assim como a questão da mineração, dos data centers e do uso da tecnologia a serviço apenas do interesse das grandes corporações.

A mesa completa está disponível na íntegra no Canal da ADUFC no YouTube .  

Forró & Feira 

Logo após o debate, o salão do Espaço Cultural da ADUFC se transformou em pista de dança ao som do trio de forró comandado por Juan Torquato, que trouxe clássicos da cultura nordestina. A feirinha, realizada no estacionamento pequeno do sindicato, contou com Plebeu Gabinete de Leitura (livros novos e sebo); Loja Sem Paredes (postais, zines e publicações); Brilho da Oxum (jóias, amuletos e acessórios de axé); Manapratha (objetos e acessórios); Naluri (acessórios); Brechó Hibiscos (vestuário); Dami Cruz (vestuário, bolsas e acessórios); Armure (camisaria); Peixuda (acessórios); Vilena Artesanias (arte em miçangas); MST (produtos da Reforma Agrária); RModa Africana (vestuário); Espinho e Fulô (acessórios); Janeth Rodrigues (vestuário); Canto da Jandaia (cosméticos naturais); Thiê (velas, sutilezas, decoração e autocuidado); GG Paurá (acessórios); Nilda Artes Afro (bijouterias e acessórios de Axé); Verde Cura (perfumaria botânica e cosméticos); e Popfinitybr (bottons, chaveiros e papelaria criativa). 

No cardápio comercializado pelo Quintal de Comida na ADUFC, pratos como mungunzá salgado, vatapá de cenoura, favada, grolado com queijo coalho assado, paçoca, arroz doce, mungunzá doce, cocada, pé de moça, pé de moleque, entre outros.

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