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ORGANIZAÇÃO SINDICAL — Abertura do Encontro da Regional NE-I do ANDES-SN debate financiamento, permanência e defesa da universidade pública no Cariri

(Foto: Nah Jereissati/ADUFC-S.Sind)

Teve início, na manhã desta sexta-feira (29), o Encontro da Regional Nordeste-I do ANDES-Sindicato Nacional, que ocorre no Cariri cearense. A abertura aconteceu no Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri (URCA), no Crato, e contou com apresentação cultural da Mestra Maria de Tiê, que marcou o início das atividades com música, alegria e referências à luta popular.

Na sequência, foi realizada a mesa “Financiamento e impactos sobre qualidade, acesso e permanência nas IES públicas”, reunindo a Prof.ª Helena Martins (ANDES-SN e UFC), a Prof.ª Maria do Céu de Lima (ANDES-SN e UFC), o Prof. Ivan Jardim (SINDURCA), a estudante Angela Abuk (DCE-UFC) e o deputado estadual Renato Roseno (PSOL-CE). O debate abordou os desafios enfrentados pelas Instituições Públicas de Ensino Superior (IES) diante das restrições orçamentárias, da precarização das condições de trabalho e estudo e das dificuldades para garantir o acesso e a permanência dos estudantes.

Ao apresentar o Panorama do financiamento das IFES no Brasil: desafios para a luta sindical, elaborado pelo ANDES-SN, a Prof.ª Maria do Céu de Lima destacou que a insuficiência de recursos afeta diretamente a capacidade das instituições de exercerem sua autonomia constitucional. “Quando a gente olha para esses dados, nós estamos falando do retrato de uma crise que afeta a autonomia universitária de forma crucial. E lembrar que a Constituição estabelece autonomia universitária, mas também o direito à educação pública e o direito à educação superior”, disse.

Para a dirigente do ANDES-SN, o debate sobre financiamento ultrapassa a dimensão administrativa e deve ser compreendido como uma discussão sobre o próprio papel das universidades públicas na garantia de direitos e na produção de conhecimento.

O deputado estadual Renato Roseno chamou atenção para os impactos do desfinanciamento sobre a qualidade da formação oferecida à população e criticou o avanço de modelos privados de ensino superior. “Não é uma expansão pela expansão. É necessário compreender que a falta de docentes, a falta de estrutura e a ausência de investimento representam mais do que desfinanciamento: representam um projeto político de desresponsabilização da educação pública para expansão da acumulação privada, especialmente por meio de cursos de baixa qualidade ofertados pela rede privada”, apontou Renato.

O deputado também defendeu a ampliação dos investimentos públicos como instrumento de redução das desigualdades sociais e de fortalecimento das universidades estaduais e federais.

Representando o movimento estudantil, Angela Abuk destacou a permanência estudantil como elemento central para a democratização do ensino superior. Segundo ela, garantir o ingresso nas universidades não é suficiente sem políticas capazes de assegurar condições materiais para que os estudantes concluam seus cursos. “Se a gente fala em ensino, pesquisa e extensão como tripé da universidade, a permanência precisa ser um desses pilares. Sem a permanência, essa universidade não existe. Sem a permanência, essa universidade não funciona”.

Angela também compartilhou sua experiência pessoal para destacar o impacto da educação pública na transformação de trajetórias individuais e coletivas: “Eu sou uma jovem negra, travesti da periferia de Fortaleza, e acessar a universidade mudou a minha vida radicalmente. Eu posso dizer que sou uma outra pessoa depois que entrei na universidade”.

As intervenções apontaram a convergência de docentes, estudantes e movimentos sociais em torno da defesa do financiamento público da educação superior, da valorização das instituições públicas e da ampliação das condições de acesso e permanência para a população trabalhadora.

O Encontro da Regional Nordeste-I do ANDES-SN ocorre nesta sexta-feira (29) e no sábado (30). O evento reúne docentes, estudantes e representantes sindicais do Ceará, Piauí e Maranhão para discutir financiamento, condições de trabalho, diversidade, ciência e projeto de universidade pública. Os/As participantes do Encontro também integrarão o Bloco do ANDES no tradicional ato dos movimentos de mulheres na manhã de domingo (31), pouco antes dos festejos do Pau da Bandeira de Santo Antônio, em Barbalha.

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