Na tarde da última quinta-feira (14), a ADUFC realizou na Unidade Acadêmica dos Palmares, no pátio do Bloco 3, em Acarape (CE), um Café da Tarde com docentes da Universidade da Integração da Lusofonia Afro-brasileira (UNILAB). A atividade, que teve início às 14h e perdurou durante toda a tarde, teve como principal objetivo a escuta das demandas da categoria, a apresentação das principais lutas sindicais e a retomada das pautas locais para levar à Reitoria da Unilab.
Pela Diretoria da ADUFC estiveram presentes a Prof.ª Aline Abbonizio (UNILAB), secretária-geral, a Prof.ª Eliane Barbosa (UNILAB), primeira-suplente, e o Prof. André Ferreira (UFC), presidente da seção sindical. Pela Diretoria do ANDES-SN, esteve presente a Prof.ª Helena Martins (UFC), 1ª Secretária da Regional Nordeste I.
A Prof.ª Aline Abbonizio abriu o Café da Tarde partilhando sobre a importância de momentos como esses para unir os docentes e também partilhou sobre os desafios para manter a categoria mobilizada.
“A gente tem uma universidade que tem uma força de mobilização muito forte quando tem urgências, quando acontece algo a gente se une, faz greve, consegue encontrar momentos de tensionar as questões, mas temos um desafio muito grande que é manter esse espaço de mobilização mais sistemático”, pontuou.
Em seguida, o Prof. André Ferreira realizou uma breve análise de conjuntura durante sua fala e trouxe também sobre a importância do espaço da universidade para o povo trabalhador e para a defesa dos direitos conquistados.
“É um direito lutar, isso é uma conquista da sociedade moderna. A autodeterminação dos povos é uma conquista. E não podemos deixar essas conquistas regredirem, essa é a primeira luta, me parece. Não deixar regredir. E, a partir daí, obviamente, continuar avançando socialmente. A gente corre um risco no nosso país, nesse momento, e no mundo. A gente corre um sério risco de retrocesso. Uma primeira tarefa nossa enquanto sindicato é não permitir esse tipo de retrocesso e, nesse sentido, a gente tem, diante de nós, o desafio das eleições”, afirmou.
A Prof.ª Helena Martins trouxe durante sua contribuição a importância de se ter um sindicato nacional, bem como uma seção sindical, que estejam alinhados com os interesses da classe trabalhadora.
“Um segundo elemento é reconhecer que a gente tem no Brasil muitas invenções que muitas vezes a gente não valoriza, que também nesses contextos de desmonte, de ataque a direitos, talvez seja também a hora da gente relembrar essas invenções. O SUS, por exemplo, é uma dessas invenções; as universidades públicas e gratuitas são invenções também fundamentais, tão diferentes de outros países do chamado Norte Global que cobram para os estudantes participarem. Eu queria dizer que o ANDES-SN também é uma dessas invenções que a gente deveria conhecer e se orgulhar. O Sindicato Nacional representa 70 mil professores e professoras de universidades federais, estaduais, IFs, colégios de aplicação, etc. Tem mais de 120 seções sindicais e é um dos maiores sindicatos de docentes da América Latina. É uma construção nossa, uma manutenção cotidiana nossa, e, como o André disse, a gente sempre tenta fazer, pela própria tradição do sindicato, de uma maneira muito democrática”, pontuou.
Outro destaque durante a abertura do Café da Tarde, foram os dados alarmantes sobre o orçamento destinado às universidades públicas. O valor destinado ao custeio das Universidades Federais e Cefets em 2014, atualizado pela inflação, corresponderia hoje a R$ 15,3 bilhões. A LOA de 2026 prevê apenas R$ 6,9 bilhões para esse grupo de despesas, ou seja, 45% do valor disponibilizado 12 anos atrás.
A atividade teve dezenas de intervenções de professores e professoras da UNILAB que trouxeram temas como a perseguição política dentro do ambiente universitário, a precarização do trabalho docente, a dificuldade para expansão do corpo docente de cursos que têm necessidades urgentes de aumento do seu quadro, a dificuldade para realização de pesquisa e extensão universitária, entre outras.
“Nós temos hoje uma sobrecarga de trabalho absurda. (…) Eu preciso mentir todo semestre que eu trabalho 40 horas. Eu consegui sair de 70 horas neste semestre para 65,5 horas no relatório. (…) Vários códigos de vagas tem chegado nos Institutos e eles estão indo para cursos que não necessitam sem nenhum tipo de estudo ser feito. E por que a gente é penalizado? Porque desde que a gente chegou na Unilab participamos desse espaço como corpo docente. É realmente uma perseguição política que acontece, não tem outro nome para isso, já que os códigos de vagas existem e eles são mal distribuídos”, relatou uma docente.
A necessidade de uma estrutura sólida de acolhimento para as mães da comunidade universitária, sejam docentes, estudantes ou técnicas administrativas, também foi relatada durante a atividade. Apesar de existir uma rede mínima de acolhimento, as fragilidades são imensas, deixando as mulheres da comunidade universitária mães em situações vulneráveis.
“É uma pauta que a gente precisa também ter como luta para que seja percebida e olhada para ela”, afirmou uma docente.
As exigências relacionadas ao Plano e Relatório Individual de Trabalho – PIT/RIT na UNILAB também foram tema de discussão durante a roda de conversa. O grupo comparou as experiências em outras universidades, como a UFC, o que deu mais elementos para estruturar os questionamentos para serem levados à reunião com a reitoria da UNILAB.
A reunião se estendeu durante toda a tarde e teve as principais pautas de reivindicação sistematizadas pela Diretoria da ADUFC para serem abordadas durante a reunião com a Reitoria. A ADUFC já entrou em contato para pedir uma data de reunião com o reitor da UNILAB, no entanto, segue aguardando o retorno da disponibilidade de agenda do reitor que, neste momento, encontra-se de férias.








