A ADUFC foi polo de resistência contra a intervenção na Universidade Federal do Ceará (UFC) e em defesa da democracia e da autonomia universitárias (Fotos: Nah Jereissati/ADUFC)
A Câmara dos Deputados aprovou, na última terça-feira (3/2), o Projeto de Lei (PL) que extingue a lista tríplice para a nomeação de reitores e reitoras das universidades federais. Esta medida é um avanço histórico em defesa da autonomia universitária e da democracia. O PL segue agora para tramitação no Senado Federal.
O presidente da ADUFC, Prof. André Ferreira, pontuou que “essa questão do fim da lista tríplice é da maior importância porque ela preserva a autonomia universitária. O que a gente tem observado é que, especialmente no último governo, a lista tríplice tem sido usada, principalmente quando você tem um governo negacionista, para intervir na universidade e, na verdade, intervir de modo a tutelar a universidade, a produção de conhecimento.”
André também frisou a importância do respeito à autonomia universitária para a democratização das universidades e do conhecimento científico: “É necessário que a escolha de dirigentes nas universidades seja um processo garantido pela própria democracia universitária. E não que a administração seja definida de fora para dentro da universidade. A universidade possui critérios democráticos e científicos. E é por isso que a própria universidade e as instâncias da universidade, que inclusive tem participação da sociedade civil, que devem definir a administração da própria universidade. Se isso não é garantido, você corre o risco de estar afastando a universidade do seu objetivo que é a produção de conhecimento científico”.




ADUFC foi polo de resistência contra as intervenções nas universidades
A ADUFC esteve ativamente inserida na luta pelo fim da lista tríplice. Entre 2019 e 2023, quando a Universidade Federal do Ceará (UFC) estava sob a intervenção de Cândido Albuquerque — candidato menos votado na consulta à comunidade universitária e nomeado por Jair Bolsonaro, presidente da República à época —, o sindicato se firmou, desde o primeiro dia da intervenção, como polo de resistência em defesa da UFC e contra o intervencionismo na universidade.
Em um trabalho coletivo com toda a comunidade acadêmica (estudantes, docentes e técnico-administrativos), a mobilização contra a intervenção formou o Comitê Permanente em Defesa da Autonomia Universitária, com ocupação, durante seis meses, dos Jardins da Reitoria, assembleias unificadas, atos públicos em toda a cidade, intervenções artísticas, embates jurídicos e diversas atividades de luta.
O Prof. Bruno Rocha, docente do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da UFC (DBBM/UFC) e pró-Reitor de Assuntos Estudantis, foi presidente na ADUFC nos biênios 2019-2021 e 2021-2023 e viveu a responsabilidade de liderar o sindicato durante a luta contra a intervenção. “Um dia histórico. Felizes os lutadores que alcançam vitórias em vida, mas mais felizes ainda são aqueles que plantam as sementes da mudança. (…) Uma luta travada com firmeza pelo ANDES-SN e pela ADUFC, que nunca abriram mão da defesa intransigente da autonomia universitária. Que um dia possamos dar sentido pleno e concreto à autonomia financeira das nossas universidades, condição indispensável para a liberdade acadêmica, a produção de conhecimento crítico e o compromisso social da universidade pública”, destacou.




Dossiê contra a intervenção
Em 2023, em conjunto com a nomeação de Custódio Almeida para a Reitoria da UFC — Custódio foi o candidato mais votado na consulta em 2019, preterido por Bolsonaro ao nomear o interventor —, a ADUFC lançou o dossiê “Intervenção na Universidade Federal do Ceará (2019-2023): Autoritarismo e Resistência”, reunindo um compilado de textos produzidos pela seção sindical no período da intervenção para denunciar à sociedade e aos órgãos competentes os sucessivos atos antidemocráticos e ilegítimos da intervenção na UFC.
São notícias, séries especiais de reportagens, notas de repúdio e textos de opinião que desenham esse período autoritário na universidade. O dossiê também registra a resistência incansável da ADUFC contra a intervenção federal na UFC em um trabalho coletivo com toda a comunidade universitária: estudantes, docentes e técnico-administrativos. A publicação foi distribuída em seu lançamento e enviada para bibliotecas e universidades, e está disponível para acesso digital em PDF ou no Calámeo.
A Prof.ª Irenísia Oliveira, vice-presidenta da ADUFC nos biênios 2019-2021 e 2021-2023 e presidenta no biênio 2023-2025, foi citada tanto por Custódio Almeida quanto por Camilo Santana, Ministro da Educação, durante seus discursos na posse de Custódio em 2023, em reconhecimento pelo trabalho da ADUFC-S.Sind em defesa da autonomia e da democracia universitárias ao longo dos últimos anos.
“Esta é uma grande vitória da luta de docentes, estudantes e técnico-administrativos das universidades federais! É uma vitória da democracia no país, porque a democratização das instituições é um grande obstáculo para projetos autoritários. Nós da UFC, principalmente, temos muito a comemorar. Intervenção nunca mais!”, celebrou.










