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ENCONTRO NACIONAL – ADUFC participa de seminário do ANDES-SN que debateu a comunicação sindical em tempos de ódio

A secretária-geral da ADUFC, Profª. Helena Martins, foi uma das debatedoras da mesa de abertura do seminário (Foto: Lorena Alves/ADUFC-Sindicato)

A ADUFC-Sindicato marcou presença no I Seminário Nacional sobre Comunicação Sindical e Mídias Digitais do ANDES-SN, que ocorreu em Brasília, nos dias 1º e 2 de julho. O evento debateu o papel das artes, da comunicação e da tecnologia no sindicalismo em tempos de ódio. Jornalistas das seções do Sindicato Nacional nos estados e docentes refletiram sobre o monopólio das plataformas digitais e a luta por democratização da comunicação, pautando exemplos latinoamericanos de comunicação contra-hegemônica e popular. Além de debates, o encontro contou com um sarau poético-cultural no primeiro dia, no café Objeto Encontrado. O restante da programação ocorreu na sede do ANDES-SN.

A secretária-geral da ADUFC, Profª. Helena Martins, foi uma das debatedoras da mesa de abertura, na noite do dia 1º/7, com o tema “O lugar da arte, comunicação e tecnologia no sindicalismo em tempos de avanço da política de ódio”. A docente, lotada no Curso de Publicidade e Propaganda da Universidade Federal do Ceará (UFC), fez uma contextualização do processo de vinculação da comunicação ao capitalismo no século XX.

“A comunicação se tornou, no século XX, uma estrutura de mediação social absolutamente necessária ao capital. É o momento de configuração da indústria cultural, daquele grande sistema que vai impor, organizar tudo e transformar a cultura e a comunicação em mercadorias”, destacou a professora, que também é doutora em Comunicação Social pela Universidade de Brasília (UnB). Ao longo desse período, a comunicação ganhou em importância e presença em diversas atividades da vida social, modificando a economia, a cultura e a política, num processo de crescente midiatização. Nesse cenário, “é preciso pensar que a comunicação e a política estão absolutamente interligadas”, acrescentou.

Helena Martins lembrou que os desafios atuais mudaram e se complexificaram, mas a estrutura capitalista se manteve, levando a uma concentração de riquezas em torno de poucas plataformas de comunicação. “Atuar nesses espaços é saber que não estamos em espaços neutros, mas totalmente minados”, ponderou. Reiterou o pensamento de Gramsci ao propor um jornalismo integral, que constrói o seu próprio público, que vai sendo forjado. “Não queremos consumidores, mas formar as pessoas. Temos que formar o nosso público”, disse.

O encontro promovido pelo ANDES-SN reuniu jornalistas e professores em Brasília, nos dias 1º e 2/7 (Fotos: ANDES-SN)

Também participou da mesa Claudia Santiago, jornalista e fundadora do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), que falou sobre o papel da arte, da cultura e da comunicação sindical na luta por transformação social. “Precisamos ter meios de atuar em rede, porque individualmente não vamos conseguir nada. Precisamos do coletivo para enfrentar essa máquina de guerra que são as fake news”, opinou, acrescentando que a visão de comunicação sindical do NPC se baseia no tripé Diretoria, equipe de comunicação e base. “A pauta não pode ser restrita aos interesses da categoria, precisamos falar como estão vivendo os trabalhadores sem carteira assinada, do subemprego”, reforçou. 

Micael Carvalho, músico, arte-educador e professor da Associação de Professores da Universidade Federal do Maranhão (Apruma SSind), foi o terceiro palestrante e defendeu que “essência” e “aparência” estejam interligadas no processo de produção cultural. “A arte também é um instrumento, uma ferramenta que pode ser usada no processo de disputa política. Ela não é apenas resultado, é processo”, apontou.

A programação do dia 2 de junho foi aberta com a mesa “Monopólio das plataformas digitais, redes sociais e a democratização da comunicação na luta de classes, antirracistas e anti-cisheteronormativas”. Viviane Gomes, representante da Rede Criola e da iniciativa Blogueiras Negras, defendeu a importância de diversificar as referências acadêmicas, que impactam diretamente as pesquisas em comunicação e a formação de profissionais da área. “A gente tem que ter professores negros e indígenas nas universidades e estar nas bibliografias dos cursos. A docência precisa ter outros referenciais”, cobrou.

Jornalista, especialista em Direitos Humanos e integrante da Coalizão Direitos na Rede, Bia Barbosa explicou que a agenda pela regulamentação das plataformas digitais tem ocorrido no mundo inteiro. “Sem regulamentação da comunicação, a internet vai continuar nas mãos dessas grandes corporações (…), trazendo riscos para a democracia”, salientou, citando o “efeito rede”, que é a ideia de querer estar onde todo mundo está. “Isso fortalece muito a formação desses monopólios”, alertou. O debate foi mediado pela Profª. Adma Cristhina Salles de Oliveira (UEMS), 2ª vice-presidenta da Regional Pantanal do ANDES-SN.

Experiências latinoamericanas pautam debate sobre democratização da comunicação

O encerramento do seminário se deu com a mesa “Arte, comunicação e tecnologia nas estratégias de mobilização nas redes e nas ruas: experiências latino-americanas”, que trouxe iniciativas do Brasil, da Colômbia e do Chile de comunicação contra-hegemônica. Um dos debatedores foi Fernando Xoclengue, integrante da Mídia Nativa ON, rapper e estudante do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que apresentou canais de comunicação com protagonismo indígena e ressaltou a luta desses povos pela inclusão no ensino superior. “Precisamos de uma política digna e de moradia para que a gente possa não apenas acessar, mas nos manter na universidade”, destacou.

Luz Angela Rubiano Tamayo, comunicadora popular da Colômbia e integrante do Movimento de Luta pela Descriminalização do Aborto e de movimentos campesinos, trouxe experiências do país colombiado para o debate. A ativista questionou o viés das escolas de audiovisual, cuja referência principal ainda é a produção norte-americana em detrimento de outras narrativas. “Por que não da Rússia, da África também?”, perguntou. 

Ela partilhou a experiência da fundação da Escola Popular de Audiovisual, em 2010, e do projeto de democratizar o acesso ao cinema em territórios campesinos. “O foco era a produção audiovisual campesina, mas com foco não apenas na técnica, fazendo sempre as críticas do processo”, complementou. De acordo com a comunicadora popular, foi realizada a exibição de filmes com debate (de diferentes temas e estilos, da resistência política a produções românticas) em mais de 100 cidades em zonas de conflito de diferentes países. 

Também participou da mesa Juan Saravia, do Coletivo Muros e Resistências, que exibiu vídeos produzidos pelo grupo. A organização nasceu no contexto dos protestos do Chile de 2019 para registrar, através de fotos e vídeos, a repressão do governo contra os manifestantes. Hoje, a iniciativa é um coletivo de comunicação independente.

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