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#EMPAUTA16 – Docentes debatem intervenções nas universidades federais e estratégias de resistência

Na última quinta-feira (2/9), a ADUFC-Sindicato promoveu a live “Democracia e intervenções nas universidades federais”. A atividade é a 16ª edição da série #EmPauta e aborda o contexto das instituições de ensino superior que estão sob intervenção do Governo Federal, a exemplo da Universidade Federal do Ceará (UFC), que vive essa situação há dois anos. “O ataque à educação é um ataque coordenado para abrir espaço de imposição de uma lógica política que só funciona com base no autoritarismo, no afastamento das pessoas da sua capacidade de decisão”, apontou a Profª. Helena Martins, secretária-geral da ADUFC.

De acordo com a debatedora, a intervenção do governo Bolsonaro nas universidades federais está incorporada à lógica de um projeto político maior, que disputa uma narrativa ideológica sobre educação e cultura no país. “Não acredito em um sistema político que se afirme e se mantenha sem ter uma base cultural. É uma combinação entre coerção e consenso”, afirma a docente, ao citar os estudos do pensador Antonio Gramsci. 

Para a Profª. Helena Martins, a disputa simbólica dos projetos de educação e cultura – que se materializa por meio das intervenções nas universidades federais – está conectada a três pilares do contexto atual: o centenário de Paulo Freire, que, por apostar em uma educação verdadeiramente libertadora, é atacado por setores da extrema direita; a “descomemoração” dos dois anos de intervenção na UFC, que se consolida a partir do desmonte dos espaços de participação; e as manifestações do próximo 7 de setembro, com a tentativa bolsonarista de ensaiar, mais uma vez, um golpe e mostrar uma força social que o grupo tem perdido.

O debate foi mediado pelo Prof. Carlos Diego Rodrigues, do Departamento de Estatística e Matemática Aplicada da UFC e segundo-tesoureiro da Regional NE-1 do ANDES-SN. Também contou com a participação do Prof. Micael Carvalho, secretário-geral da APRUMA – seção sindical do ANDES-SN na Universidade Federal do Maranhão. Ele pondera que, para discutir intervenções, é fundamental reconhecer aspectos do atual governo federal. “A ideia é colocar o serviço público como o lugar da baderna, da improdutividade, do dito marxismo cultural”, disse. 

Ao cercear as universidades, acrescenta o docente, o Governo Federal abre espaço para ideias que produzem um conjunto de ações para destruir um projeto de universidade que temos hoje. “Essas intervenções se dão pelo caráter desse governo: autoritário, negacionista e que quer construir um movimento privatista da educação, seja por dentro ou por fora. As intervenções têm sido estratégias do governo para quebrar a função social da universidade, dilapidar o que temos de público e destruir completamente a nossa autonomia, que é prevista constitucionalmente”, avalia.

Além disso, aponta Micael Carvalho, essas intervenções cumprem o papel de fortalecer grupos de extrema direita nas universidades. “O ataque à universidade não é um ataque abstrato, é um ataque objetivo (…). Esse ataque às universidades também se dá com os sucessivos cortes no orçamento que inviabilizam o retorno presencial (das aulas), por exemplo, e as pesquisas, a extensão de qualidade nas universidades”, opina. 

O secretário-geral da APRUMA lembra que a luta de hoje é para que o presidente da República nomeie o candidato mais votado na lista tríplice. No entanto, salienta que a real reivindicação do movimento sindical docente é para que haja eleição direta para a escolha de reitores. “E que esse processo seja iniciado e concluído na universidade”, pontua.

A Profª. Helena Martins reforçou a importância da unificação da luta neste contexto de ataques coordenados do Governo Federal às universidades e ao serviço público e destacou a participação da ADUFC em fóruns e atividades construídas coletivamente com outras entidades. “As nossas lutas têm que ser muito unificadas (…). Tudo isso é uma necessidade histórica, é uma compreensão de que temos que atuar no coletivo para fazer essas lutas”, ressalta. “Precisamos radicalizar essa democracia até para que ela seja uma experiência daquilo que a gente quer”, conclui a docente.

Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará

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