A Diretoria da ADUFC expressa seu repúdio pela truculência e violência por parte da Polícia Militar do Estado de São Paulo, bem como do governo Tarcísio de Freitas, contra estudantes que ocupavam legitimamente a reitoria da Universidade de São Paulo (USP).
Na madrugada de domingo, 10 de maio, por volta das quatro horas da manhã, a PM invadiu o prédio da Reitoria para retirar cerca de 150 estudantes que ocupavam o espaço desde quinta-feira (7). A ocupação é fruto legítimo da greve estudantil, que ocorre há quase um mês, onde o movimento estudantil exige a reabertura de negociações com o reitor Aluísio Segurado.
A ação truculenta contou com 50 policiais e deixou várias pessoas feridas. De acordo com a Reitoria, a PM não comunicou previamente a administração da universidade sobre a operação. No entanto, a gestão da USP havia informado à Secretaria de Segurança Pública sobre a ocupação do prédio e, desde sexta-feira (8), a PM e o Batalhão de Ações Especiais (BAEP) estavam na área do prédio.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP informou que houve seis feridos levados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Rio Pequeno. Dois já foram liberados e quatro continuam internados, sendo que um deles teve o nariz fraturado. Segundo o DCE, os policiais usaram bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes que feriram as/os estudantes.
A principal reivindicação do movimento estudantil é o reajuste das bolsas do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). De acordo com o DCE da USP, na primeira mesa de negociação, a Reitoria informou que não seria possível aumentar ou reajustar nenhum valor, mas na segunda mesa voltou atrás e apresentou um reajuste de R$ 27 e, para os moradores do Cruesp, um aumento de só R$ 5 no valor do auxílio. “O que estamos exigindo agora, que é a principal demanda dos estudantes, é sobretudo o aumento do auxílio”, afirmou em coletiva de imprensa, na noite de quinta (7), Rosa Baptista Miranda, integrante da direção do DCE-Livre.
É inaceitável que as questões dentro da comunidade universitária sejam tratadas com qualquer outra perspectiva que não seja o diálogo. A greve e a ocupação são instrumentos legítimos na luta pelas conquistas e garantia de direitos. Diante da ação nefasta ficam diversos questionamentos: Quem ordenou a invasão do prédio da universidade pela polícia militar? Quem autorizou o uso da violência? Por que a primeira opção do governo Tarcísio de Freitas para lidar com estudantes de uma das melhores universidades públicas do Brasil e da América Latina é sempre a violência?
A Diretoria da ADUFC se solidariza com o movimento estudantil da USP, bem como com toda a sua comunidade universitária, e repudia qualquer prática antidemocrática e de violência dentro e fora da universidade pública brasileira.
Fortaleza, 12 de maio de 2026
Diretoria da ADUFC-S.Sind
Gestão ADUFC em Movimento – Democracia e Luta
(Biênio 2025-2027)


