Skip to content Skip to footer

AGENDA ADUFC 2026 – Agroecologia como resposta à crise climática

O que fazer diante de um cenário de crise climática? Começar por entendê-la como um fenômeno que extrapola a dimensão ambiental é um caminho importante para pensar soluções. Ações nos campos político, social e econômico vão contribuir diretamente ou para o aprofundamento desse cenário, ou para a mudança dessa realidade. Nesse processo, a agroecologia aponta a possibilidade de construir caminhos sustentáveis de modo coletivo, com relações humanas mais justas e solidárias, além de um vínculo mais harmônico com o meio ambiente. 

A agroecologia é modo de vida cuja base social se assenta na agricultura familiar e nas práticas dos povos e comunidades tradicionais. Ela é concretizada em um modelo de produção sustentável, em convivência com os ambientes e com a participação social: “O que atualmente chamamos de agroecologia tem sua origem nas práxis camponesas e dos povos originários ao longo de aproximadamente 12 mil anos de criação e recriação das agriculturas”. No Brasil, a agroecologia se caracteriza como ciência, prática e movimento. Em todas essas dimensões, ela se contrapõe a ações, enfoques e concepções exploratórias por meio de inúmeras experiências. Por exemplo, é possível citar agricultoras em todo o Semiárido brasileiro que, nos arredores de suas casas, em seus quintais, produzem diversos alimentos para suas famílias, gerando segurança alimentar, e consolidam conhecimentos na produção de alimentos, no cultivo de sementes e na gestão da água. Ao se diferenciar do modelo dominante, o campesinato cria e recria formas de resistência e inova nas suas práticas.

Do ponto de vista científico, a agroecologia é um conjunto de conhecimentos sistematizados que questiona o atual modelo de desenvolvimento e, por isso, extrapola a questão ambiental. Ela estuda sistemas agrícolas numa perspectiva ecológica e busca práticas sustentáveis para o desenvolvimento de agroecossistemas, como no combate do uso de agrotóxicos. Especialmente na última década, pesquisas têm sido incentivadas nesse campo, com a criação de cursos técnicos e bacharelados em agroecologia, frutos da expansão da rede federal de ensino em todo país e impulsionados pela demanda de movimentos sociais.

Já como prática, a agroecologia se contrapõe ao modelo predatório e concentrador do agronegócio, que explora, desmata, envenena solos e alimentos, expulsa populações de seus territórios, concentra terras com monoculturas e consequentemente contribui para a crise climática. No Ceará, inúmeras experiências da agricultura familiar, como quintais produtivos e agroecológicos, abastecem espaços como a Rede de Feiras Agroecológicas e Solidárias do Ceará. Exemplos como esse quebram o ciclo da dependência de atravessadores, com venda direta aos consumidores, conferem autonomia econômica e permitem o compartilhamento de alimentos limpos, sem veneno e ricos em saberes. 

Por isso, ao se caracterizar também como movimento, a agroecologia é a capacidade organizativa de gerar mudanças, ao articular os aspectos econômicos e sociais. Nesse sentido, não pode haver agroecologia sem a garantia dos direitos de povos e comunidades tradicionais, como os povos indígenas, os quilombolas e os agricultores familiares, bem como da população negra, das mulheres e das juventudes. “Sem feminismo não há agroecologia!” e “Se tem racismo, não tem agroecologia!”, como evocam os movimentos sociais. Hoje, no Brasil, a organização agroecológica se expressa na Articulação Cearense de Agroecologia (ARCA), no Fórum Cearense Pela Vida no Semiárido (FCVSA),  na Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), na Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), na Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, na Marcha das Margaridas, no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), com a Feira Nacional da Reforma Agrária, entre muitos outros movimentos e organizações que têm a agroecologia como referência para lidar com as questões sociais tanto em seus territórios quanto nacionalmente. 

Em um país extremamente agrícola como o Brasil, que ainda investe no agronegócio e em suas commodities, produtos primários de origem vegetal ou animal que são negociados em mercados globais, movimentos sociais lutam para que a agroecologia seja referência de um novo modelo de desenvolvimento, mais inclusivo, que contribua para a autonomia da produção de alimentos em sua diversidade, reforçando a agricultura familiar e camponesa, assim como práticas de povos e comunidades tradicionais. Essa trajetória de luta já se expressa em conquistas como a criação da Política Nacional de Agroecologia (PNAPO), do Programa Nacional de Produção de Orgânicos (Pronara), do Programa Nacional de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), assim como na expansão das redes de comercialização de alimentos orgânicos, agroecológicos e locais.

Se adotada, a agroecologia pode responder às necessidades alimentares do mundo ao garantir segurança e soberania alimentar, ao mesmo tempo que, aliada à reforma agrária e ao atendimento a outras pautas do movimento agroecológico, pode ser elemento essencial em resposta à crise climática. 

Orgânico e agroecológico

A principal diferença entre alimentos orgânicos e agroecológicos está no que é considerado seu modo integral de produção. Enquanto a produção orgânica se concentra na exclusão de produtos químicos sintéticos (como agrotóxicos e fertilizantes), a produção agroecológica vai além. Os alimentos agroecológicos são produzidos em um ambiente onde se levam em conta fatores sociais, ambientais e culturais. A agroecologia é praticada em busca de um sistema de produção sustentável, porém também diversificado, que respeita o meio ambiente, a cultura local, as relações sociais e a relação entre agricultores e agricultoras e o ecossistema. Por isso, todo alimento agroecológico é orgânico, mas nem todo alimento orgânico é agroecológico.

*Texto de apresentação do mês de fevereiro da Agenda 2026 da ADUFC.

Leave a comment

Seção Sindical dos(as) Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará

Av. da Universidade, 2346 – Benfica – Fortaleza/CE
E-mail: secretaria@adufc.org.br | Telefone: (85) 3066-1818

© 2026. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Manduá

© 2026 Kicker. All Rights Reserved.

Sign Up to Our Newsletter

Be the first to know the latest updates

[yikes-mailchimp form="1"]