Primeira Conferência Estadual dos Povos Indígenas do Ceará consolida o novo Conselho Estadual dos Povos Indígenas (CEPIN) (Foto: Governo do Estado do Ceará)
Que o Estado do Ceará tem como pilar fundamental na formação do seu povo e de sua história a vivência e a cultura indígena isso é indiscutível. Basta lembrar que dos 184 municípios cearenses, 107 tem nomes de origem indígena. Mas você conhece todas as etnias reconhecidas no Ceará?
Atualmente são 16 etnias indígenas reconhecidas pelos próprios povos indígenas em todo o Estado. São elas: Anacé, Gavião, Isú-Kariri, Jenipapo-Kanindé, Kalabaça, Kanindé, Karão-Jaguaribara, Kariri, Pitaguary, Potyguara, Tabajara, Tapeba, Tapuya-Kariri, Tremembé, Tubiba-Tapuia e Tupinambá.

Vale lembrar que os povos indígenas estão entre os que mais contribuem para enfrentar a emergência climática, não apenas porque vivem em territórios biodiversos, mas também porque detêm conhecimentos, ciências, saberes, práticas e cosmovisões que apontam caminhos e respostas de resistência ao modelo predatório dominante. Povos indígenas partilham com toda a sociedade práticas de conservação e visões de mundo que colocam a vida no centro. Por isso, ignorar esse protagonismo é enfraquecer a própria capacidade global de enfrentar a crise climática.
Os territórios indígenas concentram grande parte das áreas mais preservadas do Brasil e do mundo. Onde há presença indígena, o desmatamento é menor, e a floresta permanece em pé, garantindo regulação climática, estoque de carbono e proteção da água. Essas informações são apontadas por um estudo do Instituto Socioambiental (ISA), de 2022, que afirma, em sua síntese, que “as florestas precisam das pessoas, assim como as pessoas precisam das florestas”, o que destaca o papel fundamental de povos indígenas e comunidades tradicionais na preservação das florestas brasileiras. Nos últimos 35 anos, somente as Terras Indígenas foram responsáveis por proteger 20% do total de florestas do país. O mesmo estudo revela que as Terras Indígenas e as reservas extrativistas apresentaram melhor desempenho na conservação florestal do que Unidades de Conservação de proteção integral ou Áreas de Proteção Ambiental (APAs). Isso confirma que os territórios de ocupação tradicional funcionam como barreiras contra o desmatamento e têm sido essenciais para enfrentar a emergência climática.
Atualmente, 40,5% das florestas brasileiras estão sob algum tipo de proteção, mas as áreas com presença de povos indígenas e comunidades tradicionais (Terras Indígenas, territórios quilombolas, reservas extrativistas e de desenvolvimento sustentável) respondem por cerca de um terço desse total, o equivalente a 30,5% das florestas do país.
No Ceará, a Caatinga cobre quase 90% do território — um bioma exclusivo do Semiárido que abriga uma imensa biodiversidade. Dentre as etnias que vivem no Semiárido cearense, podemos destacar o povo Isú-Kariri, que tem o seu território localizado na zona rural de Brejo Santo. O povo Isú-Kariri tem um grande compromisso com a valorização dos saberes ancestrais, compromisso vivido diariamente na Escola Indígena em Tempo Integral Isú-Kariri, a primeira escola indígena da região do Cariri. A escola indígena, que teve sua inauguração no ano de 2024, contou também com a participação do Instituto de Formação de Educadores da Universidade Federal do Cariri (IFE/UFCA) em sua implantação.


