A Diretoria da ADUFC expressa seu repúdio pela escalada das ações contra a cidade de Fortaleza que a Fraport, empresa alemã que opera o Aeroporto de Fortaleza (Pinto Martins), vem realizando indiscriminadamente com a chancela do poder público cearense, no âmbito municipal e estadual, que nada faz para barrar o retrocesso nefasto que a empresa tem imposto na cidade.
A ADUFC vem acompanhando o caso desde outubro de 2025, quando descobriu-se o desmatamento ilegal de cerca de 40 hectares de Mata Atlântica no entorno do Aeroporto. O crime ambiental realizado pela empresa tinha como intuito a aceleração da construção do projeto Aeroporto Cidade, que tem planos para construir dois galpões, um shopping e um hotel na área da floresta do Aeroporto. A floresta do Aeroporto, por ser uma área de Mata Atlântica avançada, está protegida pela Lei da Mata Atlântica. Além de fauna e flora diversas, existem riachos, nascentes, olhos d’água e até lagoas, o que deveria, por lei, tornar a área superprotegida.
De lá para cá, nada de efetivo foi feito pelo poder público no intuito de barrar o racismo ambiental e garantir justiça social para as famílias da Vila Gomes, bem como para toda a cidade de Fortaleza que sofre profundamente no presente, e pagará também com o seu futuro se nada for feito para barrar a destruição ambiental na cidade.
Em abril de 2026, a Justiça Federal validou o licenciamento concedido pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) o que permitiu que a Fraport seguisse com as obras no local, apavorando as famílias da Vila Gomes.
O capital privado alemão visa exclusivamente ampliar seu lucro sobre o povo fortalezense e, infelizmente, estão apoiados pelo poder público que, ao invés de defender os interesses do povo, tem ajudado a empresa privada estrangeira a ganhar dinheiro em detrimento de nossas terras e gente. A Fraport conseguiu inclusive a isenção de imposto aprovada pela Câmara Municipal de Fortaleza.
O biólogo e mestre em Ecologia, Gabriel Aguiar, também vereador de Fortaleza (PSOL) e presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Fortaleza, tem denunciado constantemente o caso. Em vídeo publicado no dia 19 de abril, o biólogo chama atenção para o silêncio do poder público e a ação, no mínimo estranha, de órgãos como a Semace e Cogerh.
“A empresa conseguiu o desmatamento mentindo nos laudos. Fazendo laudos fraudulentos dizendo que não existia lagoa, nem nascente, nem riacho e dizendo que não existia essa floresta. Segundo eles, existia, na verdade, uma mata em estágio inicial e médio, capim, arbusto, árvores finas, pequenas, enfim, uma grande mentira. A Semace, órgão do Estado, (…) deveria ter barrado esse licenciamento. Estranhamente, ela não fez. Ela autorizou esses laudos fraudulentos e autorizou o completo desmatamento da área, fingindo que não havia floresta, fingindo que não havia o recurso hídrico. E, para completar, depois que o caso veio à tona com o desmatamento ilegal, até um órgão que sempre tivemos em alta conta, que é a Cogerh, emitiu um laudo, que não foi assinado por técnico nenhum, ninguém, nenhum dos servidores da Cogerh aceitou assinar esse laudo. Foi assinado pelo superintendente, o diretor da Cogerh, (…) que é uma pessoa nomeada pelo governador, e o laudo da Cogerh dizia que não existiam recursos hídricos, reforçando essa mentira. E qual é a gravidade? Infelizmente, na Engenharia Ambiental, a água é o professor mais duro e mais carrasco para quem faz projeto mal feito. Quando o rico bate nas florestas e nos ecossistemas, quem apanha de volta da resposta da natureza é a população mais pobre, mais vulnerabilizada, e é isso que está acontecendo. A população da Vila Gomes e da Aerolândia está sofrendo gravemente os danos, a comunidade não dorme há semanas”, denunciou.
A Vila Gomes, bem como outras comunidades do bairro Aerolândia, tem sofrido com ondas de calor extremas, a poeira da obra, alagamentos nas ruas e dentro das casas, o desabamento de um muro que destruiu um carro de um dos moradores, desabamento de uma casa, uma vila de casas inteira foi interditada porque o piso afundou diante do brotamento de água, entre outros. Tudo isso tem gerado, além do impacto físico e social, o adoecimento psicológico e social generalizado. A comunidade Vila Gomes, em mais de 60 anos de história, nunca havia enfrentado sequer um alagamento. Estima-se também que, se a atuação da Fraport não for contida, a escalada de tragédias seguirá se ampliando, inclusive podendo acontecer o rompimento de uma pequena barragem que se formou diante do acúmulo de água em uma montanha de 10 metros de areia para a construção de galpões na área desmatada.
A Diretoria da ADUFC se solidariza com a comunidade Vila Gomes, repudia as ações da Fraport e exige que o poder público cumpra o seu papel, revendo as licenças de funcionamento e incentivos fiscais para uma empresa que está prejudicando diretamente o povo cearense.
Fortaleza, 21 de abril de 2026
Diretoria da ADUFC-S.Sind
Gestão ADUFC em Movimento – Democracia e Luta
(Biênio 2025-2027)



