(Foto: Divulgação)
Na última segunda-feira (30), estudantes, técnicos administrativos e docentes se reuniram em um ato no Campus do Pici para denunciar a constante insegurança no Centro de Ciências Agrárias (CCA – UFC). A comunidade universitária relata uma série de incidentes como furtos, assaltos e arrombamentos dentro dos prédios do Campus do Pici.
Em vídeo postado pelo Centro Acadêmico de Engenharia de Alimentos, os/as estudantes listam uma série de acontecimentos relacionados à insegurança do campus, como: arrombamento de salas do departamento, furtos na cantina do departamento, laboratórios que tiveram equipamentos roubados, pouca iluminação e ausência de profissionais da segurança patrimonial da universidade.
Durante a reunião do Departamento de Engenharia de Alimentos (DEAL – UFC), que ocorreu no dia 24 de março de 2026, com a presença de docentes, técnicos e estudantes, foram coletados relatos e informações sobre a série de fatos relacionados à insegurança do CCA, são eles:
– No dia 3 de março de 2026, foi constatado pela comunidade universitária o arrombamento do LabInova (Bloco 852). A grade de uma das janelas foi brutalmente arrancada, danificando a estrutura e permitindo o acesso aos ambientes internos. Também foi arrombada uma porta que conecta o corredor aos demais laboratórios. Foram furtados equipamentos essenciais, além de insumos, reagentes e materiais de uso cotidiano. Esses itens são fundamentais para pesquisas, impactando diretamente os projetos em andamento.
– O LabInova foi apenas o primeiro de cinco arrombamentos no Centro de Ciências Agrárias até 30 de março de 2026: o segundo no Departamento de Estudos Interdisciplinares (DEINTER), envolvendo um prejuízo em mercadorias da cantina; o terceiro no Núcleo de Desenvolvimento da Criança (NDC) com furto de eletrodomésticos e alimentos da creche; o quarto em uma sala de aula do Departamento de Engenharia de Alimentos (DEAL), onde a janela de vidro foi quebrada e tiveram acesso a sala; e o quinto no Laboratório de Laticínios.
Para docentes, técnicos/as e estudantes, “tais falhas roubam a tranquilidade para trabalhar, estudar e circular no campus, criando um paradoxo doloroso: celebramos a expansão da UFC em ensino, pesquisa e extensão, mas convivemos com insegurança que compromete o essencial”.
A assessoria da ADUFC procurou a administração da UFC em busca de esclarecimentos sobre as falhas de segurança no CCA. Em nota, a Superintendência de Infraestrutura da Universidade Federal do Ceará informou que tem discutido ações de melhorias da infraestrutura e segurança do campus.
A Superintendência de Infraestrutura da Universidade Federal do Ceará informa que, em reunião realizada na última sexta-feira (27/03) com a diretoria do Centro de Ciências Agrárias (CCA), foram discutidas ações para melhoria da infraestrutura e segurança do campus.
Uma vistoria será realizada na tarde de hoje (30/03) na área do CCA, a fim de verificar questões de infraestrutura que serão objeto de intervenção. A vigilância da Universidade já reforçou a segurança na área desde a última sexta-feira (27).
As ações previstas incluem manutenção de espaços, reparo de itens como janelas quebradas, colocação de grades em locais necessários, entre outras benfeitorias, visando atender às necessidades de infraestrutura e segurança da unidade, especialmente após ocorrências recentes.
A Superintendência de Infraestrutura segue trabalhando na implementação de melhorias e na garantia da segurança e do funcionamento adequado dos campi, para melhor atender à comunidade acadêmica.
Superintendência de Infraestrutura da UFC (UFC Infra)
Orçamento, Universidade e Defesa da Educação Pública
O drástico encolhimento do orçamento das universidades públicas brasileiras impacta diretamente na manutenção e funcionamento de uma Educação pública de qualidade e socialmente referenciada. Em matéria publicada no InformAndes de fevereiro de 2026, o ANDES-SN abordou o impacto dos orçamentos estrangulados nas universidades públicas.
Na última década, a Educação pública passou por um processo contínuo de restrição orçamentária que compromete o funcionamento cotidiano das instituições, fragiliza políticas de permanência estudantil e limita a capacidade de planejamento acadêmico.
As despesas discricionárias, destinadas ao custeio e aos investimentos, sofreram queda acentuada em termos reais. Enquanto isso, ampliou-se o peso das emendas parlamentares no orçamento das instituições.
Já as despesas obrigatórias, que concentram gastos com pessoal e previdência, oscilaram nominalmente devido aos reajustes lineares ao longo dos anos. No entanto, não foram suficientes para garantir a reposição das remunerações conforme a inflação do período, o que resultou em perdas salariais acumuladas para docentes, técnicas e técnicos em Educação. As despesas obrigatórias passaram de R$ 31,1 bilhões, em 2015, para R$ 32,3 bilhões em 2025, corrigidos pela inflação, indicando estagnação ao longo do período.
A situação é mais grave no caso do Grupo de Natureza de Despesas de custeio e investimento das universidades. É desse grupo que saem os recursos para energia elétrica, água, limpeza, vigilância, contratos terceirizados, manutenção predial, além de bolsas e auxílios voltados à permanência estudantil – essenciais para o pleno funcionamento das instituições. Em 2015, o volume destinado a essas despesas era de R$ 16,1 bilhões. Em 2025, caiu para R$ 7,6 bilhões — menos da metade do registrado uma década antes.
“É preciso considerar o papel que o Congresso Nacional tem nessa condição de retirada de recursos da Educação Pública e, em especial, a atuação da extrema-direita nessa empreitada contra uma recomposição orçamentária mais expressiva. É um Congresso Nacional que, em sua maioria, direciona, além da questão dos juros, a questão das emendas parlamentares que cresceram muito e inviabilizaram, de certa forma, o crescimento do orçamento das universidades. Hoje temos, pelo menos, essas duas coisas conjugadas: um Congresso que não dá prioridade [à Educação Pública], e estabelece prioritariamente as suas emendas parlamentares muitas vezes deslocadas de um projeto popular de desenvolvimento do país, que seria a perspectiva da educação, ciência e tecnologia, (…) e também não podemos esquecer a política de juros do país que é para onde é canalizado, de maneira mais incisiva, o orçamento público. O que mais cresce em termos de despesa pública é o pagamento de juros ao longo dos anos”, ressaltou o Prof. André Ferreira, presidente da ADUFC.



