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EM DEFESA DA CIÊNCIA – Docentes da FAMED/UFC assinam nota contra negacionismo do Ministério da Saúde

( Foto: bluzfilms)

Professores da Faculdade de Medicina da UFC assinaram nota conjunta, no último dia 24 de janeiro, posicionando-se contra a insistência do Ministério da Saúde em manter o tratamento ineficaz do chamado “kit Covid” para tratamento em pacientes do SUS com Covid-19. A decisão contraria as diretrizes do parecer técnico da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC), aprovadas em maio e dezembro do ano passado, nas quais o colegiado reitera que remédios como a cloroquina, a azitromicina e a ivermectina não têm eficácia para tratar a doença.

Leia a nota na íntegra, que também foi reproduzida na coluna do jornalista Eliomar de Lima, no jornal O POVO:

Nota de apoio ao CONITEC, em defesa da ciência e da vida!

Nós, professores da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, honrando nosso compromisso histórico primeiro de defesa da vida, não poderíamos nos omitir perante a sociedade, concernente aos fatos recentes da maior gravidade para a saúde pública no Brasil, em consequência da rejeição do parecer técnico da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC).

O progresso da Medicina só alcançou o estágio atual graças ao trabalho dedicado e paciente dos cientistas, que, baseados no método científico, e não em interesses ideológicos espúrios ou crenças infundadas, puderam demonstrar a segurança e a eficácia de novos tratamentos e novas tecnologias para promoção da saúde dos povos. Assim, ao longo da História, milhões e milhões de vidas foram salvas devido ao controle ou à erradicação de várias doenças pelas vacinas, pelo uso de medicamentos ou mesmo pelo advento dos transplantes de órgãos, por exemplo.

A Pandemia de Covid-19 representa a maior ameaça e o maior desafio para a saúde pública da nossa época, tendo suprimido, numa rapidez assustadora, milhões de vidas preciosas no Brasil e em todo o mundo. Somente o esforço sem precedentes da Ciência, com o desenvolvimento de vacinas eficazes e seguras, possibilitou a redução da velocidade da ocorrência de mortes decorrentes da Covid-19, trazendo esperanças para a humanidade.

Também foram especialistas e cientistas brasileiros, com assento na CONITEC, respaldados pela análise rigorosa, eminentemente técnica, do melhor da evidência científica já produzida e publicada nos periódicos de maior rigor acadêmico no mundo, das diretrizes terapêuticas das mais renomadas sociedades de especialidades médicas do mundo e do Brasil, que definiram claramente pela não recomendação do tratamento medicamentoso com cloroquina/hidroxicloroquina, ivermectina, nitazoxanida ou azitromicina dos pacientes com Covid-19, pois não há evidência que mostre qualquer benefício clínico desses fármacos para essa doença, infelizmente.

Embora o parecer da CONITEC, como ocorre de praxe, tenha sido uma demanda do próprio Ministério da Saúde, os membros do comitê, os cientistas, as sociedades médicas e a sociedade, de um modo geral, foram surpreendidos pela decisão, à revelia da recomendação fundamentada no melhor do conhecimento científico e, em última análise, de uma recomendação que visa a proteger a vida dos brasileiros, de o Ministério da Saúde manter a indicação de tratamentos ineficazes para a Covid-19. Com essa decisão, a um só tempo, o Ministério da Saúde coloca em risco a vida dos cidadãos, promove informações falsas, desqualifica o corpo técnico capacitado para regular a segurança e a oportunidade da incorporação de novos medicamentos e novas tecnologias do SUS e abre espaço para a utilização dos recursos da saúde em tratamentos ineficazes, com as consequências dramáticas já experimentadas há exatamente um ano pela população em Manaus, bem como um precedente perigosíssimo para futuras tomadas de decisões sem respaldo da Ciência.

Na Faculdade de Medicina, como professores, temos a enorme responsabilidade de ensinar conhecimentos e tecnologias que salvam vidas para as novas gerações de médicos que virão. Mais do que isso, temos o compromisso ético e cidadão de não calar quando a saúde da população está sendo colocada em risco. Por isso, deixamos aqui o mais veemente repúdio contra a decisão autoritária, arbitrária, sem respaldo científico, do Ministério da Saúde em manter a indicação de tratamentos ineficazes, à revelia da decisão contrária da CONITEC.

Todos pela vida e em defesa da ciência!

Fortaleza, 24 de janeiro de 2022.

Assinam a nota:

Adalberto de Paula Barreto

Alberto Novaes Ramos Jr.

Aline Almeida Figueiredo Borsaro

Almir de Castro Neves Filho

Álvaro Madeiro Leite

Ana Angélica Lustosa Bittencourt de Araújo

André Alencar Araripe Nunes

Annya Costa Araújo de Macedo Góes

Armenio Aguiar dos Santos

Carlos Henrique Alencar

Carlos Roberto (Cabeto) Martins Rodrigues Sobrinho

Carmem E. Leitão Araújo

Cataria Brasil d’Alva

Charlys Barbosa Nogueira

Christiane Araújo Chaves Leite

Daniel Willian Lustosa

Deysi Viviana Tenazoa Wong

Eanes Delgado Barros Pereira

Eugênio de Moura Campos

Francisca Cléa Florenço de Sousa

Francisco das Chagas Medeiros

Francisco Herlanio Costa Carvalho

Guilherme Alves de Lima Henn

Gustavo Rêgo Coêlho

Jarbas de Sá Roriz Filho

Jesus Irajacy F da Costa

João Joaquim Freitas do Amaral

Jorge Luiz Nobre Rodrigues

José Eleutério Jr.

José Milton de Castro Lima

Josenilia Alves Gomes

Kristopherson Lustosa Augusto

Leonardo Robson Pinheiro Sobreira Bezerra

Ligia Kerr

Lisandra Serra Damasceno

Luciana Passos Aragão

Magda Moura de Almeida

Manoel Alves Sobreira Neto

Manuela Vasconcelos de Castro Sales

Marcellus Henrique Loiola Ponte de Souza

Marcelo Alcântara Holanda

Marcelo Leite Vieira Costa

Márcia Maria Tavares Machado

Marco Túlio Aguiar Mourão Ribeiro

Marcos Rabelo de Freitas

Maria de Fátima Vitoriano de Azevêdo

Maria Lúcia Magalhães Bosi

Maria Vaudelice Mota

Maxmiria Holanda Batista

Miguel Ângelo Nobre e Souza

Paola Tôrres Costa

Patrícia Rolim Mendonça Lôbo

Pedro Braga Neto

Pedro Felipe Carvalhedo de Bruin

Pedro Marcos Gomes Soares

Raquel Autran Coelho Peixoto

Raquel Maria Rigotto

Ricardo José Soares Pontes

Ricardo Othon Sidou

Rivianny Arrais Nobre

Robério Dias Leite

Roberto César Pereira Lima Júnior

Roberto da Justa

Rômulo Rebouças Lôbo

Ronald Feitosa Pinheiro

Sandra Maria Nunes Monteiro

Silvânia Maria Mendes Vasconcelos

Silvia Maria Meira Magalhães

Sílvio Paulo da Costa Araújo Rocha Furtado

Terezinha do Menino Jesus

Valeria Goes Ferreira Pinheiro

Vilma de Lima.

Virgínia Oliveira Fernandes Cortez

Xinaida Taligare Vasconcelos Lima

Zenilda Vieira Bruno

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