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Resposta de um docente à postagem na Coluna do Jornalista Fábio Campos no Jornal O Povo

O professor Luiz Fábio Paiva, do Departamento de Ciências Sociais da UFC, manifestou resposta à postagem feita no dia 8 de novembro na Coluna do Jornalista Fábio Campos no Jornal O Povo. A ADUFC-Sindicato torna público o texto redigido pelo professor.

Leia aqui a postagem na qual o docente faz referência no texto que segue abaixo: http://migre.me/vxgbb

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Carta do Prof. Luiz Fábio Paiva

Prezado Fábio Campos,

Sou Luiz Fábio Paiva, professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará, e estive na Assembleia a qual se refere o lamento de um colega publicado em seu blog. Gostaria de prestar alguns esclarecimentos referentes ao que você chamou de “impressionante relato”. Em primeiro lugar, não fomos a Assembleia Geral para aprovar ou não a greve. Fomos para nos debruçar como categoria sobre a seguinte pauta indicada na convocação do nosso Sindicato: 1) Homologação do resultado do plesbicito sobre greve geral por tempo indeterminado da UFC, UFCA e UNILAB; 2) Encaminhamentos. Portanto, o lamento já falta com a verdade quando diz que apenas o primeiro ponto era tema da Assembleia. Realmente, o auditório escolhido para Assembleia foi uma escolha infeliz, pois no dia anterior 2.000 estudantes da UFC fizeram uma grande Assembleia de estudantes e, era possível imaginar, que muitos teriam interesse em participar da reunião dos professores. Eu como outros colegas, no entanto, chegamos bem atrasados, mas mesmo assim conseguimos entrar. Interessante que quando cheguei muitos professores estavam reunidos do lado de fora, sem demonstrar nenhum interesse em entrar. Quando o Presidente da ADUFC anunciou a votação para homologação do plebiscito, então os professores entraram para votar. O problema disso foi que eles perderam toda discussão que ocorreu antes. Talvez, por isso, o professor em seu lamento não viu as discussões sobre os efeitos da PEC 55 para Universidade, com cortes substanciais que ameaçam seu funcionamento, sua limpeza e segurança. É possível, também, que por isso ele não viu que vários professores alertaram para o fato de o sistema de votação ter sido mudado para votação eletrônica, sem discussão, fiscalização e mesmo uma lista dos professores em determinados departamentos. Outro detalhe importante, a diretoria ADUFC, em Assembleia anterior, se comprometeu em discutir o processo, realizando debates setoriais para os quais foi tirada uma comissão que nunca chegou a se reunir. O mais assustador, contudo, foi o momento da votação, quando vários professores entraram em bloco na Assembleia para deliberar pela homologação. Nesse momento, uma professora da FACED falou que “era uma vergonha” e um dos professores que estava junto desse grupo partiu para cima da professora transtornado, sendo impedido de agredi-la por colegas que tiveram bastante trabalho em contê-lo. Interessante o lamento do colega, publicado por você, não demonstrar espanto em relação a esse ato de violência contra uma professora! Desde o momento da tentativa de agressão os ânimos se acirraram e um grupo de professores e alunos (me incluo nele) gritou vergonha a cada voto a favor da homologação de um plebiscito repleto de irregularidades, conforme já relatei. Como é possível ver no lamento do colega que não quer se identificar, alegando medo de ser agredido (o que considero absurdo), parte-se da ideia de que títulos e posição são pressupostos da dignidade e, portanto, isso, por si só, o torna digno de respeito. Sim, ele merece respeito como pessoa, mas seu comportamento político pode ser sim criticado e problematizado. Ser respeitado do ponto de vista político requer mais do que ter títulos ou uma posição social. É preciso o mínimo de coerência e respeito com o outro que, como ele, ofereceu seu tempo e disposição para um diálogo livre e de interesse de toda comunidade acadêmica. Por fim, ao votarem, os mesmos que entraram em bloco, deram as costas, ignorando os apelos do Presidente da ADUFC para votação dos encaminhamentos. Em seu lamento, ele reclama também disso! Esquece-se de questionar o seguinte: qual respeito demonstraram as pessoas que abandonaram a Assembleia antes da votação dos encaminhamentos? Enfim, respeito depende também de o mínimo de reciprocidade e em tempos de redução da crítica a noções baratas não espero que meu colega entenda essa resposta ao seu lamento. Continuarei tentando e espero que o senhor considere as minhas observações em seu blog, abrindo a possibilidade de um debate, minimamente, democrático a respeito dos acontecimentos de nossa Assembleia.

Prof. Luiz Fábio Paiva
Departamento de Ciências Sociais

1 Comentário

  • Dinora Mantega
    Postado 29 de agosto de 2018 no 02:29

    Gratidão pelo ótimo conteúdo que pode me esclarecer bem certos pontos fundamentais do raciocínio em questão. Poucos sites sabem falar bem quando o assunto é esse. Mais uma vez parabéns!

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