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Artigossegunda-feira, 31 de maio de 2010
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Artigo - Os riscos do sexo precoce e sem proteção - Vivina do C. Rios Balbino |
Mais do que nunca o tema sexo está na mídia no Brasil. Fazer sexo muitas vezes por semana foi destacado pelo Ministro da Saúde Temporão como preventivo da hipertensão. Não resta dúvida de que a ciência já provou sua eficácia contra o estresse e males cardiovasculares. Mas o Estudo Mosaico Brasil mostra que o brasileiro gosta de sexo, mas se protege pouco: 57% dos homens não usaram preservativos na relação casual e 75% das mulheres na mesma situação. Os jovens se preocupam mais. Entre os casados, 49.9% dos homens não usam preservativos e 71% das mulheres. Na dúvida da fidelidade do parceiro, não se proteger é um enorme risco. Adultério não é mais crime, mas causa muitos danos e não é um ato moralmente correto. As doenças sexualmente transmissíveis (AIDS, HPV, hepatite A e B, sífilis, herpes, gonorréia, condiloma etc) são graves e estão aí a desafiar os especialistas na prevenção e tratamento. Qual é o percentual do dinheiro público destinado ao tratamento dessas doenças no Brasil? Com certeza é bem alto. Ter múltiplos parceiros é fator de risco e usar preservativo não protege 100% segundo pesquisas. Investir mais na educação sexual é preciso.
A situação fica ainda mais grave quando dados mostram que cada vez mais cedo adolescentes iniciam a vida sexual. Dados da Unesco apontam essa iniciação sexual aos 14 anos para meninos e 15 anos para meninas. Conteúdos sensuais e eróticos na mídia, especialmente TV e internet, estilos musicais e danças certamente influenciam. Programas e conteúdos generalizados da TV exploram cada vez mais o adultério, a sensualidade e a banalização do sexo. Essa erotização precoce induz à sexualidade e gravidez precoces com todos os riscos sociais e de saúde. Dados da Fundação Oswaldo Cruz mostram que uma em quatro adolescentes sexualmente ativas está contaminada pelo HPV e 600 mil pessoas estão contaminadas pela AIDS no Brasil. Sem contar as que não sabem. A exploração sexual infantil ainda é outra trágica realidade, que precisa ser combatida com eficientes políticas públicas. Uma nova moda juvenil preocupa - o uso das pulseiras do sexo, que já fizeram algumas vítimas. Dependendo da cor, a disposição para práticas que vão de um abraço até o sexo. Qual tem sido a orientação dos pais e educadores sobre esse perigoso modismo e sobre a precoce iniciação sexual?
Outro exemplo da grande erotização no Brasil é o nosso carnaval vendido aqui e no exterior como “cultura brasileira” com grande apelo sexual. Não é sem razão que milhares de estrangeiros vêm anualmente ao Brasil atrás dessa “cultura” desprezível de prostituição infantil ou generalizada. A pedofilia, os estupros e crimes sexuais bárbaros que acontecem cada vez mais no Brasil têm aqui também as suas raízes assim como a violência contra as mulheres. Uma cultura que prioriza o prazer, o corpo, a sensualidade e, muitas vezes, menosprezando princípios éticos e morais. Pessoas e crianças se expõem cada vez mais na internet em sites de relacionamentos, redes de contatos e se aproximam de pessoas, muitas vezes de forma perigosa induzindo a crimes e delitos muitas vezes sexistas.
É muito importante que sexo esteja em discussão pelos seus benefícios, mas também pelos males que pode causar se praticado sem segurança e sem responsabilidade. É preciso que o governo cada vez mais invista em eficientes políticas públicas preventivas nas escolas e na mídia para conter os riscos do sexo sem proteção e do abuso e exploração sexual. Principalmente na adolescência esses cuidados devem ser reforçados pela implantação de programas de educação sexual em toda a rede escolar discutindo-se os riscos das doenças sexualmente transmissíveis, que podem até matar. Uma educação para sexo com segurança e responsabilidade para homens e mulheres para que somente os benefícios sejam contados.
Vivina do C. Rios Balbino
Psicóloga, mestre em Educação, professora universitária e autora de livros. |
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